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Se acontecer, greve de caminhoneiros testará poder de negociação do governo

por Milena Pacheco 26 de Março de 2019 às 17:12
categoria: Nacional

Mensagens em grupos de Whatsapp espalhados por todo o país convocam os caminhoneiros para uma nova paralisação que poderá ocorrer nesta sexta-feira (29). A capacidade de mobilização da categoria colocará à prova o poder de negociação do governo Bolsonaro. Apesar da grande pulverização do movimento, é possível perceber que não está tão forte quanto a greve que sacudiu a gestão Temer em maio de 2018.

Foto: Nelson Almeida/AFP

“Se a paralisação acontecer, o impacto político dependerá da dimensão. Supondo algo semelhante a maio de 2018, este vai ser o primeiro grande teste do governo fora do Congresso”, opina Thiago Vidal, analista político da Prospectiva. “Este governo não tem como característica a negociação. Há dúvida se conseguiria conversar com movimentos sociais.”

Cientista político da UnB, Lúcio Rennó concorda: “Se tiver a dimensão do que ocorreu com Temer, pode ter implicações muito graves para este governo, que se mostra pouco preparado e pouco organizado para adentrar em processos difíceis de negociação”.

Caminhoneiros reivindicam, principalmente, o cumprimento do piso mínimo no preço de frete e uma mudança no regime de reajuste do diesel, de diário para mensal.

Uma das principais lideranças do movimento de 2018, Wallace Ladim, o Chorão — já se reuniu com o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e com a diretoria da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) para tratar do tema —, é contrário ao movimento atual. Ele acredita que haverá paralisações pontuais, mas que a mobilização não será nacional. “Há insatisfação da categoria. Isso é fato. Por outro lado, nunca tivemos acesso ao governo, e agora, temos”, pondera. A União Nacional dos Caminhoneiros e a Associação Brasileira dos Caminhoneiros também se manifestaram contra.

Líder do grupo mineiro Caminhoneiro Brasileiro, Olívio Henrique Souza acredita que a adesão será maior até sexta-feira. “Durante a campanha, Jair Bolsonaro disse saber dos problemas da categoria. Não estamos pegando o governo de calça curta. Ele chegou a fazer postagens dizendo que se anteciparia a qualquer crise e daria uma resposta para a categoria, o que não está fazendo”, argumenta.

O Ministério da Infraestrutura informou que ouviu lideranças do setor na última sexta-feira. “O ministério apresentou uma minuta de programa (…) com foco em seis eixos: comunicação, regulação, social, desburocratização, fomento e cooperativismo. (…) O programa trará uma melhora ao setor rodoviário de cargas e aos profissionais que atuam no segmento”, diz. (Com informações do Correio Braziliense)