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Ao pregar fim da reeleição, Gabriel Menezes aponta submissão de vereadores ao crivo do prefeito

por Karine Paixão 25 de Setembro de 2017 às 12:33
categoria: Polêmica


Pelo fim da reeleição e com uma pitada de disposição para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco, o vereador Gabriel Menezes (PSL) iniciou uma cruzada pela renovação dos políticos à frente de cargos eletivos a partir de 2018. em entrevista ao Nossa Voz nesta segunda-feira (25) o parlamentar afirma que a iniciativa não tem o objetivo de atingir ninguém diretamente e faz parte do seu discurso desde a campanha que o elegeu vereador o ano passado. Gabriel Menezes foi eleito com 2.346 votos. 

Questionado se estaria decepcionado com o mandato, Menezes demonstra-se desiludido diante do jogo político que envolve o dia a dia na Câmara de Vereadores. “Essa desilusão não é com meu mandato, até porque estou tentando fazer a minha parte, quero honrá-lo até o dia 31 de dezembro de 2020, mas é uma desilusão com a política. E as pessoas que me acompanharam desde a campanha sabem que eu já defendia isso. Muitas reuniões eu fiz falando sobre a necessidade de renovar sempre os quadros da política a cada nova eleição. Então eu sou contra a reeleição. Por exemplo, os cargos do executivo tem direito a uma reeleição, passam quatro anos o povo eleger novamente depois eles tem que sair. Por que os cargos do legislativo caem os dentes lá dentro? Deputados com 10 mandatos, vereadores com cinco, com oito, então, eu discordo disso”, justificou.

O vereador também aponta riscos em manter no poder parlamentares que tem o cargo eletivo como profissão. “A grande verdade, no meu entendimento, é que a política virou emprego para muitos. Quantos vivem exclusivamente da política nas nossas câmaras municipais, assembleias legislativas dos estados, no próprio Congresso Nacional, quantos políticos não tem fora da política uma atividade, como eu que tenho a honra de dizer que há 15 anos vivo do rádio, da profissão que Deus me deu, da comunicação e dos eventos que a gente faz. Então, evitar votar em quem vive exclusivamente da política”.

Descrente na reforma política que tramita na Câmara dos Deputados, Gabriel Menezes ainda relata a dificuldade de ingresso de novos políticos frente as constantes renovações de mandatos nos legislativos. “A reeleição, a gente ouve muito falar sobre a reforma política, na minha opinião também não tem nada de reforma, eles estão buscando uma forma de proteger-se, de segurarem os mandatos porque junto a opinião pública, usando os termos populares, estão queimados com a população, estão sujos, tem suas reeleições extremamente comprometidas e ninguém cogita o fim da reeleição. Quer dizer, você pode ser vereador hoje, deputado amanhã, senador, presidente, existem outros cargos. Por que ficar ali naquele ciclo vicioso eternamente. A disputa de quem está fora para quem está dentro é muito desleal”. 

Ciente de que sua campanha está incomodando inclusive os demais vereadores da Casa Plínio Amorim, o parlamentar garante que sua atuação não tem um direcionamento. Faz apenas a defesa da sua ideologia. “Isso não é uma campanha contra a reeleição dos meus colegas, é uma ideia que eu tenho e que estou externando agora. As pessoas que me acompanharam durante a minha campanha sabem que eu já defendia isso”.

Porem, ao analisar a atuação da bancada de situação, Menezes aponta a submissão de alguns parlamentares ao crivo do Executivo Municipal. “[O Poder Legislativo] Não é independente de forma alguma. Deve haver harmonia entre os poderes, mas independência acima de tudo. E todo mundo já viu que os projetos que o prefeito quer são aprovados e os projetos que ele não quer são reprovados e assim por diante. Nós já tivemos requerimento de pedidos de informações reprovados o que foi uma grande exposição para a casa. A gente entende que existem os acordos, alinhamentos, cargos, vereadores que ficam reféns porque tem cargos do governo”. 

Deputado Estadual

Sobre uma possível candidatura a deputado estadual, Gabriel Menezes não esconde a disposição, mas considera ser muito cedo para iniciar esse debate com seu grupo. “Algumas pessoas já me fizeram esse mesmo questionamento, mas acho que não é hora de discutir. Disposição a gente tem que ter sempre. Se você é soldado de um grupo e deseja contribuir para o crescimento da cidade, da região onde você é acolhido, acho que a gente tem que está pronto toda hora. Mas acho que é muito precoce, eleição está muito distante, há mais de um ano ainda, ninguém e candidato de si próprio, precisa de um grupo para apoiar um grupo para marchar junto”. 

O vereador, que se mostra decepcionado com as tratativas que envolvem a atuação parlamentar em Petrolina e a cultura de assistencialismo cultuado em alguns gabinetes, expressa ainda a necessidade de uma reflexão sobre a possibilidade de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco. “Acho que não conseguiria responder a essa pergunta ainda. Eu quero é dar celeridade nessa campanha  de conscientização das pessoas de que é preciso renovar. Eu não posso generalizar. Há uma minoria que é combatente e que luta pelo bem-estar da população brasileira, mas quando eu defendo o fim da reeleição é o alto preço que a gente tem que pagar para renovar”. 

Sobre já ter levantado esse debate na Casa Plínio Amorim, Menezes revela esperar adesões espontâneas. “Eu busquei não buscá-los para esse debate. Eu não vou, lancei a campanha, todo mundo está vendo. Estou externando agora uma ideia e tem vereadores na casa que sabem que desde a campanha eu vinha fazendo isso, mas agora é hora de externar. Estou fazendo a minha campanha pelo fim da reeleição, mas sem querer atingir diretamente a ninguém. Sem citar nomes, o povo que saiba e procure ver quem está honrando o seu mandato. Sei que muitos serão reeleitos, mas espero que entre eles estejam os melhores”, finalizou.